galo só faz cocoricó

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era uma vez um dragão. um dragão que esqueceu que era galo.

um galo lindo e mansinho, de toda criança querer estar perto.

criança? que criança? na fazenda tem criança?

ô se tem! elas mandam na fazenda!

mas o mandar tem hora certa, porque cansa.

e o menino sabe, não é bobo. descansa um sono bom;

navega nesse mar grande de sonho.

grande igual a cidade importante, cheia de gente-história.

mas não menos cheia do que a mente de quem olha!

- olha! uma carta! como é bom receber carta!

em qualquer lugar do mundo, toda gente gosta.

até quem usa óculos, até quem voa alto!

porque quem é gente sabe que a viagem das palavras

é longa, é grande. e corre o mundo.

vira pontinho curto no universo. um pontinho tão claro!

- é só um pontinho.

- mas é a luz dele que abre caminho.

e as pessoas se percebem!

mas galo, galo não entende. esse ainda acha que é dragão.

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À ARTE & PALCO

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brasão versado

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do não dito tenho pouco a chorar agora.

quando tu me tomas

é olho por olho;

o dente subestima.

morde pouco, pequeno,

devagar. e engole o mundo.

- é guerra, amor. é vida.

um brinco pra iluminar o pescoço

e um suco de melão.

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asma sintética

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daquilo que se quer chorar bem alto, gritando até quando.

quando o grito chora até querer bem alto o se.

se bem querer até chora e grita

GRITA! GRITA! GRITA!

o querido bem chorado

quer?

CHORA!

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uníssono

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nada, a não ser pouco a pouco.

o peso das partes do todo

não mente;

geme vitória.

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pé de moleque

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doce de amendoim

tem gosto de agora;

de andar devagar na chuva.

não dizer ‘eu sei’

até a tempestade próxima

- e o pé molhado -

seria sábio.

e… algo mais.

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mochilas memoriais

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E depois de tudo, acordei num ímpeto. O aconchego do pertencer, previsivelmente, fez doer aquela dor funda, forte, que lembra risada. Ri… não teve como. Mas, rápida, virei e puxei a coberta leve pra cobrir a falta. O olho é que não fechava mais. Bah, não fechava! Os cenários tão vivos, a história, todo o significado de uma Verdade… porém o laço tão forte, construto dos trinta e poucos me pareceu tão frouxo, desatado, de repente. Doeu de novo.

Eu não estava só. O Consolador, Artesão-Mestre de nós e enlaces, me elevou o olhar e fitei as pedras. Não mais as calcárias, mas estas aqui, tão perto, tão minhas. Segurei-as forte e contei: trinta e seis.

- Ei, quantos éramos, meu Deus?

O de sempre: papel-lápis-memória. E num segundo os nomes, todos, de mãos dadas vieram em roda. Honrada, registrei.

- “Trinta e três! Trinta e três!”, meu coração gritou.

Mas ainda faltavam 3…

E uma voz Outra, serena e tão plena de si veio simples e soberana preencher o vazio: - “Porque em treze dias não se cumpriria a profecia? ‘Eis que estivemos com vocês todos os dias.’”

Sim, era isso! 36 são as pedras! Preciosas. E todas elas contam uma mesma história, cada qual

com seu brilho,

com seu rosto,

com seu nome.

Ah, o ‘anel da ludhinha árabe’ é tão mais agora! E, sabe, toda vez que meu olhar o admira, os contos-cenários de risos e lágrimas cantam! É lindo de ver.

E naquela hora, em pé, meu coração sorriu.

E assim está.

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oráculo

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pedra que não culpa a Medusa

sabe o que é ser bruta.

sabe o que é ser pedra.

sabe. e não culpa.

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nem amarrada eu digo o contrário.

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